É uma característica que normalmente importa muito a quem compra e é desvalorizada por quem vende. Mas é assim tão importante?

Para quem compra existem algumas barreiras, há a barreira dos 100.000 kms, isto é, se tiver 95.000km está novo, se tiver 105.000 km, é melhor ver se encontramos algo menos rodado… mesmo estando a falar de um intervalo de 10.000 kms pensamos desta maneira. Ás vezes até fazemos a pesquisa por “até 100.000 Kms” quando estamos em portais de automóveis usados. A barreira dos 200.000 kms é aquela em que já é muito difícil alguém conseguir ultrapassar. Com uma quilometragem de 200.000, 230.000, 275.0000 é normalmente um carro pouco convidativo.

Para quem vende a quilometragem abaixo dos 100.000 kms quer dizer que comprou o carro e tem estado parado, só usa ao fim de semana ou trabalha a 2 quilómetros de casa. Acima dos 100.000 kms e até aos 200.000 kms é uma quilometragem normal para um carro usado. A partir dos 200.000 kms normalmente é tudo “feito em auto-estrada” e andou sempre em visitas comerciais, mora longe do trabalho, tem uma de fim-de-semana, ou quem fez muitos quilómetros foi o anterior dono.

Na verdade, associamos a quilometragem ao uso do motor, mas não é aí que tenho a única preocupação, porque no motor podem ser feitas manutenções preventivas e correctivas e se estas forem feitas atempadamente o motor manterá a vivacidade e fiabilidade com relativo baixo custo.

O problema reside em outros componentes que têm o mesmo uso do motor mas que normalmente não tem manutenção preventiva ou correctiva, a pintura, os estofos, os tapetes (fixos e amovíveis), o plásticos interiores e exteriores, etc mas todos esses componentes estiveram lá tantos quilómetros como o motor. Normalmente, esses são os componentes de negociação “a pintura está um pouco queimada do sol”, “tem aqui dois risquinhos na porta”, “o tapete tem um buraco por baixo do pedal” e por ai em diante onde o comprador tenta baixar o preço e o vendedor acha que não é isso que influencia a venda.

Apesar das barreiras psicológicas dos 100, 200 ou 300 mil quilómetros nunca vamos saber na realidade qual o uso que foi dado ao carro. Até porque eu posso ter this site um automóvel com 85.000 kms e nunca lhe ter feito uma manutenção ou ter um automóvel com 200.000 kms onde fiz mudanças de óleo de 10.000 kms em 10.000 kms de acordo com o plano de manutenção da marca.

Ainda por causa das barreiras psicológicas da quilometragem é que se alteram quilómetros nos carros, é mais fácil vender um carro com poucos quilómetros do que com muitos. Uma maneira relativamente fácil de ver se a quilometragem é a real é comparar o quadrante do carro com a folha de inspecção aí conseguimos perceber se tem os quilómetros reais, o problema é quando o carro é importado porque não há registo de quilometragem anterior e os livros de manutenções valem o que valem, e os carros até aos 4 anos (data em que fazem a primeira inspecção).

Existem muitos exemplos do que correu bem e mal à volta do tema quilometragem, basta procurar na internet.

Não quero desvalorizar totalmente a quilometragem mas acredito que o bom negócio depende do estado que o carro apresenta na altura da venda, um profissional consegue com alguma segurança ou recorrendo a meios mais tecnológicos perceber o estado do carro, independentemente da  quilometragem.

Façam-me um favor não assumam que uma quilometragem abaixo dos 100.000 kms é uma excelente compra e acima dos 200.000 kms o carro está praticamente para abate…

Hoopy